O relógio
Senti uma imensa vontade de chorar. O meu coração apertava-se contra o peito numa avalanche de recordações do passado e tu, ali à minha frente, inteiro como sempre na tua arte de dar. Defendi-te por dentro como nunca o tivera feito, pai. Eu chorava-te sem tu veres. Cà por dentro só caquinhos de mim, e o pouco que restava aguentava-se firme para receber. Eu nunca me achei muito capaz de criticar o que alguem me dava. Ño momento em que o fizesse, sabia tornar-me mais pequena que qualquer insignificante dádiva. Posso nao gostar, posso não usar o que recebi, mas ficará comigo. Porque eu sei que podes não ter nada, e desse pouco, meio será para mim. E sabes, pai, a única coisa que eu seria capaz de te dizer é que o relógio não é tão bonito como tu.

1 Comments:
Bonito.
Não tenho mais palavras...
Devias escrever (aqui) mais vezes.
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