"A litost é um estado tormentoso que nasce do espectáculo da nossa própria miséria subitamente descoberta.Entre os remédios habituais contra a nossa própria miséria, há o amor. Porque aquele que é absolutamente amado não pode ser miserável.(...)
O absoluto do amor é na realidade um desejo de identidade absoluta: é preciso que a mulher que amamos nade tão lentamente como nós, é preciso que não tenha um passado que só a ela pertença e do qual possua recordações felizes. Mas, assim que a ilusão da identidade absoluta se quebra (a jovem recorda-se com alegria do seu passado ou então nada depressa), o amor torna-se uma fonte permanente do grande tormento a que chamamos litost.
Quem possui experiência profunda da comum imperfeição do homem está relativamente a salvo do choque da litost. O espectáculo da sua própria miséria torna-se-lhe uma coisa banal e sem interesse. A litost é, portanto, um traço sintomático de inexperiência. É um dos adornos da juventude."
O Livro do Riso e do Esquecimento, Milan Kundera

1 Comments:
Gosto de voltar a ler-te mais.
É quando nos mostras as coisas bonitas que tu sabes.
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