Que situação!...
Cheguei ao edifício sozinha e dei logo de caras com uma cara conhecida. Não me agradou pensar que seríamos colegas, mas disse-me logo que não ia frequentar o curso. Só tinha vindo a acompanhar a amiga. A amiga era uma senhora na casa dos 50 anos, muito pequenina, com uma pele muito lisa e sempre sorridente que em menos de nada estava a acertar comigo os pormenores da boleia que eu lhe daria até ao final do curso. Daí a pouco tempo, trazia-me chouriça assada, que eu detectava logo assim que entrava no carro, e pedia-me para escrever no computador os poemas que dedicava aos formadores do curso. Esses poemas terminavam quase sempre com a frase “que situação!...”. Era uma expressão que, naquele contexto inusitado, me fazia sorrir. Achava graça àquela frase e à expressão de surpresa e embaraço que os formadores faziam quando liam os poemas.
Por isso, hoje gosto de dizer “que situação!...”. Fica sempre bem – quando se fica sem palavras, quando assistimos a algo incrédulos, quando estamos cansados, quando não há mais nada para dizer ou quando escrevemos um poema.
Por isso, hoje gosto de dizer “que situação!...”. Fica sempre bem – quando se fica sem palavras, quando assistimos a algo incrédulos, quando estamos cansados, quando não há mais nada para dizer ou quando escrevemos um poema.

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