Intimidades
Estive a ler um livro técnico que fala de prostituição em Portugal.
Às tantas, fala-se de questões morais que condenam as prostitutas e a prática da prostituição. Fala-se que, num mundo em que tudo parece ter-se tornado vendável, o sexo continua ainda a pertencer à esfera do não-vendável e fala-se da (im)possibilidade de vendermos a nossa intimidade.
Às tantas, fala-se de questões morais que condenam as prostitutas e a prática da prostituição. Fala-se que, num mundo em que tudo parece ter-se tornado vendável, o sexo continua ainda a pertencer à esfera do não-vendável e fala-se da (im)possibilidade de vendermos a nossa intimidade.
Será a nossa intimidade não vendável? Não sei.....a nossa intimidade, por definição nunca é totalmente partilhada. Mesmo quando é revelada, é sempre transformada em algo que consideramos poder entregar a alguém; há sempre algo que fica para nós que é indizível. Já o sexo, acho que pode ser uma coisa que envolve intimidade ou não. E, sei bem que há quem consiga vivenciar o seu corpo como algo externalizado, embora, por vezes, a linha que separa as relações no que diz respeito à afectividade entre duas pessoas seja ténue.
Ainda a propósito da questão da intimidade, umas autoras no livro que li, referem que, se existe alguma intimidade, se existem desabafos e toques íntimos na prostituição, o mesmo se verifica com outros profissionais, como por ex. os psicoterapeutas e os massagistas terapêuticos. Trata-se portanto de profissões em que a intimidade é comercializada.
Nunca me tinha lembrado de fazer esta associação, entre a nossa profissão e a prostituição, com base na comercialização da intimidade. É verdade que existe uma troca e que a intimidade de uma pessoa está em jogo, mas as regras são diferentes, o cliente e o agente agem noutros moldes.
Este fim-de-semana, num jantar com alguns colegas, falávamos acerca dos momentos em que sentimos que a nossa disponibilidade para os problemas dos outros é abusada, do facto de as pessoas acharem que estamos sempre disponíveis para ouvir os seus problemas onde quer que estejamos e que podemos dar uma resposta na ponta da língua às mais variadas questões -dos nossos colegas de trabalho, do afilhado que tem mau comportamento na escola, do tio que é agressivo ou do gato que anda agitado. Neste sentido, parece que, não tão poucas vezes como isso, a nossa disponibilidade para os outros anda para aí aos trambolhões para dar e vender, e que nem podia ser de outra forma. Assim, também não nos podemos exaltar, temos de estar sempre serenos e atentos ao que nos dizem, escutar, não sermos pessoas e não termos problemas como elas. Estranhamente, embora sejamos todos jovens em início de actividade profissional, todos manifestámos estar fartos desta profissão. Mas também (acho) que todos sabíamos que nem sempre pensamos assim e, na verdade, ao dizer isto, dizemos que somos...o que somos – pessoas.
Ainda a propósito da questão da intimidade, umas autoras no livro que li, referem que, se existe alguma intimidade, se existem desabafos e toques íntimos na prostituição, o mesmo se verifica com outros profissionais, como por ex. os psicoterapeutas e os massagistas terapêuticos. Trata-se portanto de profissões em que a intimidade é comercializada.
Nunca me tinha lembrado de fazer esta associação, entre a nossa profissão e a prostituição, com base na comercialização da intimidade. É verdade que existe uma troca e que a intimidade de uma pessoa está em jogo, mas as regras são diferentes, o cliente e o agente agem noutros moldes.
Este fim-de-semana, num jantar com alguns colegas, falávamos acerca dos momentos em que sentimos que a nossa disponibilidade para os problemas dos outros é abusada, do facto de as pessoas acharem que estamos sempre disponíveis para ouvir os seus problemas onde quer que estejamos e que podemos dar uma resposta na ponta da língua às mais variadas questões -dos nossos colegas de trabalho, do afilhado que tem mau comportamento na escola, do tio que é agressivo ou do gato que anda agitado. Neste sentido, parece que, não tão poucas vezes como isso, a nossa disponibilidade para os outros anda para aí aos trambolhões para dar e vender, e que nem podia ser de outra forma. Assim, também não nos podemos exaltar, temos de estar sempre serenos e atentos ao que nos dizem, escutar, não sermos pessoas e não termos problemas como elas. Estranhamente, embora sejamos todos jovens em início de actividade profissional, todos manifestámos estar fartos desta profissão. Mas também (acho) que todos sabíamos que nem sempre pensamos assim e, na verdade, ao dizer isto, dizemos que somos...o que somos – pessoas.

4 Comments:
Olá Drª :-)
Adorei os seus conselhos relativamento ao gato agitado ;-)
Dr., quanto ao gato, qualquer que seja o problema recorrerei sempre a si que é a melhor escolha que posso fazer ;)
Realmente há para aí muitos que se dizem psicoterapeutas e não passam de putas e chulos das mentes...
Regozijo-me da sua escolha e como já disse sou susceptível a elogios :-) Por isso se a Drª quiser terei todo o gosto em observa-la ao pormenor para descartar qualquer morbo emergente. Afinal estamos a falar de todos os felinos ;-)
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