quarta-feira, dezembro 14, 2005

Crueza mundial...uma realidade...

Pelos caminhos da história vamo-nos deparando com atrocidades vergonhosas típicas desta espécie tão característica a que pertencemos – a humana. Temos, realmente, o poder fantástico de pensar, somos animais pensantes, o que nos leva, por um lado, à procura da felicidade e por outro, ao lado perverso, à busca do poder sobre o outro. Raras são as vezes em que o ganho da felicidade não varia proporcionalmente com a conquista do poder. As guerras sempre existiram ao longo da história; a maneira como foram fundamentadas, conduzidas e travadas é que vai variando. De uma forma quase inexorável elas têm como fundo de acção, a luta territorial, religiosa, étnica/racial, muitas vezes todas estas misturadas e com alicerces monetários impressionantes. Bem, o meu objectivo não é fazer uma dissertação sócio-politica sobre as guerras, até porque não tenho sequer formação para tal, mas reflectir um pouco sobre o modo até onde podemos chegar, sem escrúpulos, sem remorsos, ou simplesmente por ignorância… Pegar neste tema vem na sequência de ter visto há pouco tempo o filme “Hotel Ruanda” que nos remete para um século XX emancipado no mundo ocidental (1994), mas no Ruanda marcado por lutas entre as milícias de etnia hutu e os tutsis. A história destes grupos: quando os belgas estiveram no Ruanda e se cruzaram com aquele povo, os descendentes que tinham menores distâncias entre as narinas eram tutsis, os outros, hutus; e assim foi, cada um tinha no seu BI o carimbo que o classificava e determinava o seu destino. Hutus no poder…. extermínio de tutsis, com o apoio de armamento francês. “Não se fala em genocídio, mas sim em actos genocidas”, ouvia-se na rádio uma politica ocidental, certamente alheada ou a procurar alhear-se de toda aquela realidade sangrenta e de terror. A esperança na ajuda ocidental desvanece-se quando a prometida ajuda só está autorizada a levar os “brancos” para fora do país, abandonando todo aquele povo tutsi à mercê dos crimes horrendos dos hutus. Não valem um voto, alegava, indignado, um membro da ONU face esta atitude. Não vale a pena investir e defender esta gente, para quê?! Se nem um voto valem!

Sei que atrocidades destas ocorrem sempre, basta lembrar a Segunda Guerra Mundial, a guerra nos Balcãs, a questão do Médio Oriente, a chacina do Mao….enfim….mas quando sou confrontada com realidades destas, como a que este filme me deu, confesso que tenho vergonha de fazer parte desta sociedade ocidental, principalmente por ver a facilidade que “temos” em comandar o mundo com os peões humanos a ganharem formas de bonequinhos de jogos de computador, a jogar aqueles bem sádicos e sangrentos. Confesso, também, o alheamento e passividade em que me envolto, no dia-a-dia, perante tais realidades, o que não quer dizer que não me preocupe… Mas, por vezes, “sabe bem” levar um abano da consciência, um abrir de olhos, e perceber melhor que estamos no fio da navalha, que de um “momento para o outro” podemos, também, estar encruzilhados numa guerra sem sentido aparente….afinal, somos humanos… Se calhar já estamos e nem damos conta…

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

pois é miuda...não me vou esqueçer do que o repórter no filme dizia e que é o que vamos fazer
"As pessoas quando virem o que se passa aqui vão olhar...e vão continuar a comer o jantar"
Enquanto fizermos isso...tudo aquilo que criticamos e opinamos vai continuar a acontecer.
E o mais grave é que nós, se, com sorte, virmos a notícia...vamos, simplesmente, continuar o nosso jantar.

terça-feira, dezembro 20, 2005  

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