Conheci o R. quando fui trabalhar para aquela associação. Tinha mais ou menos a minha idade. Era um rapaz simpático, não era de grandes conversas mas trazia sempre um sorriso na cara quando vinha a sala cumprimentar-nos. Tratava-nos sempre por “Dras”, apesar de, tanto eu como as minhas colegas, insistirmos para não o fazer. Justificava-se, dizendo que não queria ser chamado à atenção pelos patrões, com quem ninguém simpatizava muito ali.
Fomos ganhando mais confiança, apesar do “Dra.” sempre ali metido no meio e, às tantas, no meio das conversas entre colegas, brincava comigo e dizia-me “A Dra. é lasciva, é é...”, e ria-se. Eu, sem perceber porque o dizia, ainda lhe perguntei algumas vezes o motivo, mas ele apenas repetia a palavra “lasciva...”, com um sorriso nos lábios. Eu achava engraçada aquela mistura de palavras: o formalismo do “Dra.” e a brincadeira algo acriançada do “lasciva”, misturada com o sorriso dele.
Um dia, pediu para falar comigo no meu gabinete. Já todos nos tínhamos apercebido que tinha começado a ter um caso com uma funcionária nova, de personalidade frágil, mas aspecto algo provocador. E quis, então, pedir-me alguns conselhos em relação ao namoro deles. Mais tarde, o problema começou a ser a lascividade da namorada que, segundo dizia, “só queria fazer sexo a toda a hora”. E lembro-me de ficar espantada a olhar para ele, quando me disse, um dia, que achava que seria impossível voltar a existir alguém que pudesse interessar-se por ele. Tinha 26 anos. Perguntei-lhe: “por onde anda essa auto-estima?” Riu-se e disse-me que se tinha perdido há muito. O namoro acabou entretanto. Continuámos a conversar no meu gabinete até ao dia em que deixei de trabalhar naquele sítio. Soube depois que tinha arranjado outro trabalho e, mais tarde, que, numa viagem a um país da Europa, conheceu uma rapariga, com quem foi viver e com quem sonhava já desde há muito, não tenho dúvidas..... Disseram-me que foi assim de repente e fiquei contente por ele. E porque, assim de repente, pode sempre acontecer alguma coisa que nos muda de direcção e nos leva para onde queríamos.
Fomos ganhando mais confiança, apesar do “Dra.” sempre ali metido no meio e, às tantas, no meio das conversas entre colegas, brincava comigo e dizia-me “A Dra. é lasciva, é é...”, e ria-se. Eu, sem perceber porque o dizia, ainda lhe perguntei algumas vezes o motivo, mas ele apenas repetia a palavra “lasciva...”, com um sorriso nos lábios. Eu achava engraçada aquela mistura de palavras: o formalismo do “Dra.” e a brincadeira algo acriançada do “lasciva”, misturada com o sorriso dele.
Um dia, pediu para falar comigo no meu gabinete. Já todos nos tínhamos apercebido que tinha começado a ter um caso com uma funcionária nova, de personalidade frágil, mas aspecto algo provocador. E quis, então, pedir-me alguns conselhos em relação ao namoro deles. Mais tarde, o problema começou a ser a lascividade da namorada que, segundo dizia, “só queria fazer sexo a toda a hora”. E lembro-me de ficar espantada a olhar para ele, quando me disse, um dia, que achava que seria impossível voltar a existir alguém que pudesse interessar-se por ele. Tinha 26 anos. Perguntei-lhe: “por onde anda essa auto-estima?” Riu-se e disse-me que se tinha perdido há muito. O namoro acabou entretanto. Continuámos a conversar no meu gabinete até ao dia em que deixei de trabalhar naquele sítio. Soube depois que tinha arranjado outro trabalho e, mais tarde, que, numa viagem a um país da Europa, conheceu uma rapariga, com quem foi viver e com quem sonhava já desde há muito, não tenho dúvidas..... Disseram-me que foi assim de repente e fiquei contente por ele. E porque, assim de repente, pode sempre acontecer alguma coisa que nos muda de direcção e nos leva para onde queríamos.

5 Comments:
Muita verdade nessa tua última frase. :)
Admiro a tua forma transparente de escrever. É tal e qual como tu és.
Felicito-te pela inteligência da pergunta que colocaste a R., porque de facto não se trata de "não ter auto-estima", como às vezes "dizemos", mas sim de não saber, por vezes, onde ela pára.
Depois, de repente, como tu dizes, reencontra-se o que se queria e tudo floresce; reencontramos a auto-estima escondida. E nessa altura muda qualquer coisa; subimos um degrau e já não vivemos (dentro e fora) de igual forma.
O que quero dizer é que mesmo que voltemos a ficar tristes e a auto-estima volte a recuar tal como uma onda quando chega à praia, a verdade é que já a reencontrámos uma vez. Ficámos a saber um caminho. E, com sorte, ficámos também a saber quem nos dá sempre um empurrão para o degrau seguinte. ;)
Kiss, Kiss.
Não é o R mas é o F, que vos deseja um dia muito feliz.
Hoje é o vosso dia...
Duplamente, pelo menos o meu dia! eheheheh, lol
Kiss kiss
o R., o P., o N., o C., e toda a gente. Quando tudo parece perdido há aquele momento em que tudo muda. Mas como em tudo na vida também há o contrário. A vida tão estável ruir como um castelo de cartas. Não é sorte, nem azar, nem destino nem nada. São coisas da vida, umas por culpa nossa, outras por culpa dos outros. Outras ainda porque uma borboleta bateu as asas na china.
não há culpas. há responsabilidades. De parte a parte.
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